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Quatro décadas depois, o futuro continua em construção

Quatro décadas depois, o futuro continua em construção

Antonio Carlos Onofre de Lira conheceu a Sociedade ainda como médico residente. Hoje, presidente da entidade, revisita quatro décadas de transformações e aponta os desafios que devem conduzir a saúde digital nos próximos anos

Antonio Carlos Onofre de Lira tenta recuperar a data exata na memória. Foi em 1990? Talvez 1992. De uma coisa, porém, ele se lembra: estava em Gramado, no Rio Grande do Sul, quando participou pela primeira vez de um congresso da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

Era médico residente e a informática em saúde ainda começava a construir seu espaço no Brasil. Lira conheceu a Sociedade, tornou-se associado e encontrou ali algo que iria acompanhá-lo por boa parte de sua trajetória profissional.

“Sempre tive na SBIS um local de conhecimento e, sobretudo, de relacionamento com as pessoas da área”. Mais de três décadas depois, ele preside a entidade justamente quando a SBIS completa 40 anos. Entre aquele primeiro congresso e os desafios atuais da inteligência artificial, sua trajetória ajuda a contar também a transformação de uma área inteira.

Nos primeiros anos, as discussões estavam concentradas na informatização dos serviços e nos sistemas de informação hospitalar. Depois vieram prontuário eletrônico, sistemas especialistas, processamento de imagens e sinais, dados biológicos, vocabulários, ontologias e telessaúde. Mais recentemente, interoperabilidade, arquitetura de dados e inteligência artificial passaram a ocupar o centro dos debates.

Para Lira, uma das grandes contribuições da SBIS foi não apenas acompanhar essas mudanças, mas criar um ambiente técnico e científico para compreendê-las.

“A SBIS consolidou um espaço técnico de disseminação de conhecimento e de estruturação de ações de informatização muito importantes no país.”

Nesse ambiente, profissionais de diferentes gerações encontraram espaço para apresentar ideias, compartilhar experiências, discutir melhores práticas e estabelecer referências. A Sociedade também contribuiu para a formação profissional, a certificação e a sistematização da melhor forma de aplicar as tecnologias à saúde.

Lira é, ele próprio, resultado dessa construção. “Tudo isso que a gente discute, pelo menos para a minha experiência pessoal, eu fui apresentado por meio da SBIS.”

O próximo capítulo

Quatro décadas depois, a transformação não diminuiu de velocidade. Ao contrário.

A inteligência artificial abre uma nova fronteira, mas Lira a observa como parte de um processo contínuo. Assim como ocorreu com outras tecnologias, o desafio não está apenas em incorporá-la, mas em estabelecer critérios para que sua utilização esteja apoiada em conhecimento científico e boas práticas.

“Nosso compromisso é bastante acadêmico”, ressalta.

É nesse ponto que ele identifica alguns dos principais desafios para os próximos anos: avançar na incorporação cientificamente baseada da inteligência artificial, acelerar a interoperabilidade e fortalecer a formação especializada em informática em saúde.

A interoperabilidade, particularmente, ultrapassa a dimensão tecnológica. Para Lira, fazer sistemas e informações conversarem adequadamente pode contribuir para fortalecer o próprio sistema de saúde.

A formação profissional completa esse cenário. Quanto mais sofisticadas se tornam as tecnologias, maior é a necessidade de preparar pessoas capazes de compreendê-las e aplicá-las.

“A gente precisa reafirmar e acelerar a necessidade de capacitação e de formação especializada na área.”

É também com essa perspectiva que ele olha para o CBIS 2026, do qual preside a Comissão Científica. O Congresso, afirma, continua sendo o lugar onde diferentes gerações se encontram, experiências circulam e é possível acompanhar o estado da arte da informática em saúde.

De certa maneira, o mesmo ambiente que o recebeu quando ainda era residente.

Aos 40 anos, a SBIS chega a uma realidade muito diferente daquela de seus primeiros tempos. A informática deixou de ser uma ferramenta periférica para assumir posição estratégica na assistência, na gestão, na pesquisa e nas políticas de saúde.

Mas, para Lira, uma missão atravessou essas quatro décadas: reunir pessoas e conhecimento para transformar avanço tecnológico em benefício concreto para a saúde. “A SBIS pôde, ao longo dessas décadas, contribuir não só com o fortalecimento da área no nosso país, mas apoiar os avanços do sistema de saúde.”

Quando Lira entrou naquele congresso em Gramado, a informática em saúde ainda buscava muitos de seus caminhos. Hoje, à frente da Sociedade, ele acompanha uma nova geração diante de outras perguntas e de tecnologias que pareciam distantes naquele início.

Quarenta anos depois, o cenário mudou profundamente. A missão de compreender o que vem pela frente, não.

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