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Uma nova fase para o Journal of Health Informatics

Uma nova fase para o Journal of Health Informatics

Juliano Gaspar assume a editoria do Journal of Health Informatics e projeta uma nova era para a publicação científica da SBIS

O pesquisador e professor convidado da Universidade Federal de Minas Gerais e membro da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Dr. Juliano Gaspar, assumiu em 2025 a editoria-chefe do Journal of Health Informatics (JHI), a principal publicação científica brasileira na área de Informática em Saúde. Criada pela SBIS, a revista, de acesso livre e com revisão por pares, é publicada em fluxo contínuo e serve como um importante meio internacional de disseminação de pesquisas e revisões interpretativas no campo da Saúde Digital.

Gaspar chega com a missão de modernizar processos, fortalecer a credibilidade científica e ampliar a visibilidade do periódico. Desde que assumiu o cargo, em Março de 2025, ele lidera uma profunda reestruturação editorial, marcada por eficiência, transparência e rigor metodológico.

“Quando assumimos, encontramos a revista com uma lista de mais de 100 trabalhos aguardando avaliação, alguns desde 2023”, recorda o editor. “Tínhamos também um cadastro de mais de 400 revisores (professores voluntários), entretanto completamente desatualizado”.

O primeiro passo foi um esforço de reaproximação com a comunidade científica. Juliano e sua equipe contataram pessoalmente centenas de professores de todo o Brasil, buscando reativar o engajamento e atualizar a base de avaliadores. “Tivemos retorno de cerca de 100 docentes, muitos parabenizando a nova gestão e reafirmando o compromisso voluntário com a revista”, afirma.

A dedicação deu resultado: em poucos meses, a fila de artigos pendentes foi reduzida de 140 para apenas 20, todos de 2025. “É um esforço coletivo e voluntário, que merece reconhecimento. Nenhum dos envolvidos recebe remuneração, inclusive neste cargo de editor-chefe. É um trabalho voluntário em nome da ciência do país”, enfatiza o professor.

Um dos principais objetivos da nova gestão é reduzir drasticamente o tempo de publicação. Antes, um artigo podia levar até dois anos e meio entre a submissão e a publicação, prazos incompatíveis com o ritmo atual da ciência. Hoje, esse tempo já caiu para cerca de 6 meses, e a meta é reduzir ainda mais este ciclo.

“Sabemos que é uma meta audaciosa, especialmente para uma revista científica que depende do trabalho voluntário. Mas é o padrão de qualidade e agilidade que o mundo exige na atualidade”, explica Juliano.

Critérios mais rigorosos e foco na qualidade científica

A reestruturação também envolveu a revisão do escopo editorial. O JHI reforça sua missão de publicar pesquisas originais e metodologicamente sólidas, alinhadas à aplicação da Informática em Saúde e da Saúde Digital.

Entre as novas diretrizes adotadas estão as revisões narrativas e integrativas que só serão publicadas se apresentarem métodos robustos e avaliação de qualidade. Além disso, os relatos de experiência e pesquisas de opinião que não possuírem rigor metodológico não serão aceitos. Os trabalhos puramente de ciência da computação, como comparações de modelos de machine learning sem aplicação clínica, serão recomendados para publicações em outros periódicos e os artigos que apresentam softwares ou aplicativos de saúde só serão aceitos se incluírem testes clínicos ou validações práticas.

“Não somos uma revista de computação, somos uma revista de Informática em Saúde. Nosso compromisso é com a ciência aplicada ao cuidado, com impacto real na prática clínica”, resume Juliano.

Outro avanço importante foi o mapeamento completo do fluxo de avaliação. A equipe desenvolveu um fluxograma detalhado, validado pelo comitê editorial, que será publicado para que autores e leitores entendam as etapas do processo, da submissão à publicação.

“O objetivo é mostrar por que um artigo pode eventualmente levar meses para ser publicado, ou ainda, por que um trabalho submetido depois de outro pode acabar sendo publicado antes. Isso faz parte da transparência que queremos adotar”, explica o editor-chefe do JHI.

Além disso, a revista passou a oferecer artigos em formato HTML, além do tradicional PDF, o que facilita a indexação por mecanismos de busca e aumenta a visibilidade e a citação dos trabalhos, fator essencial na nova forma de avaliação científica no país.

Disseminação científica e impacto social

Gaspar também reforça o papel da revista como ponte entre a academia e o setor de saúde. “O JHI é o canal por onde conseguimos conhecer o que está sendo produzido no Brasil, tanto em universidades quanto em empresas. É um meio para divulgar ciência aplicada, com resultados testados e comprovados”.

Ele ressalta que o valor da revista vai além do público acadêmico: “Mesmo quem não é pesquisador pode se beneficiar, porque os artigos mostram evidências sobre tecnologias e soluções digitais que realmente funcionam e agregam valor à prática clínica e à gestão em saúde.”

Com o novo cenário científico exigindo maior engajamento e visibilidade, Juliano lidera uma estratégia de comunicação que conectará o JHI às redes da SBIS e a um público mais amplo. “A forma de avaliação mudou, não é mais a Classificação Qualis que define a relevância da revista, e sim a quantidade de citações dos artigos. Por isso, precisamos dar visibilidade aos estudos publicados”, explica.

O plano inclui divulgar individualmente alguns dos artigos escolhidos pelo comitê editorial, destacando seus resultados e relevância, e criar conteúdos derivados, como resumos em vídeo, publicações no blog da SBIS e postagens em redes sociais. “Deixar os artigos apenas dentro da revista não é mais suficiente. A comunicação científica é fundamental para que a ciência alcance quem precisa dela”, defende Gaspar.

Rebranding e novos tempos

A renovação também será visual. A revista passará por um processo de rebranding, com nova identidade e novo logotipo, refletindo a modernização editorial. Segundo Gaspar, a mudança visual mostra ao leitor que algo está acontecendo, desperta curiosidade e ajuda a reforçar a nova fase da publicação.

Essa atualização acompanha outras melhorias estruturais, como novos indexadores, imagens de capa personalizadas por artigo e aprimoramentos no layout e na navegação.

Juliano Gaspar encerra com um tom de entusiasmo e compromisso. “Estamos construindo uma revista mais ágil, mais rigorosa e mais conectada. Uma revista que reflete o que há de melhor na ciência brasileira e que inspira novos pesquisadores a contribuir com evidências sólidas para a evolução da Saúde Digital”.

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