SBIS apresenta proposta de Residência Multiprofissional em Informática em Saúde e Saúde Digital para fortalecer a transformação digital no SUS
A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) apresentou a proposta do Programa de Residência Multiprofissional em Informática em Saúde e Saúde Digital, iniciativa estratégica que visa formar profissionais capazes de liderar a transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa foi desenvolvido por um grupo de especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente: Dr. Antônio Carlos Onofre Lira, Dra. Beatriz de Faria Leão, Dra. Grace Teresinha Marcon Dal Sasso, Dra. Heimar de Fátima Marin e Msc. Raquel Acciarito Motta, referências na área de Informática em Saúde, interoperabilidade, educação digital e políticas de saúde pública.
Alinhada às diretrizes da International Medical Informatics Association (IMIA), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e às normas da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), a proposta responde a uma demanda crescente por profissionais qualificados capazes de integrar tecnologia, ciência de dados e cuidado centrado no paciente. A SBIS destaca que a complexidade dos sistemas de informação em saúde, o uso intensivo de inteligência artificial, a expansão da telessaúde e o volume crescente de dados clínicos tornam essencial a criação de programas estruturados de formação avançada.
A residência proposta terá duração de dois anos e total de 4.320 horas, com 80% da carga horária dedicada a atividades práticas e 20% destinada à formação teórica. Esse modelo garante a imersão dos residentes em cenários reais da transformação digital do SUS, como hospitais, unidades básicas, núcleos de telessaúde, ambientes de interoperabilidade, centros de regulação e laboratórios de inovação. A formação teórica abrange temas como interoperabilidade, inteligência artificial aplicada, big data, cibersegurança, governança de dados, tecnologias imersivas, medicina de precisão e design centrado no usuário, sempre com foco em ética, equidade e cidadania digital.
O programa também adota uma visão integrada entre Informática em Saúde e Saúde Digital. Enquanto a Informática em Saúde oferece as bases técnico-científicas para estruturação, organização e segurança dos dados clínicos, a Saúde Digital aplica essas bases em soluções concretas, como telessaúde, aplicativos, plataformas de engajamento do paciente, dispositivos vestíveis e ferramentas de monitoramento remoto. Para os autores da proposta, essas áreas são complementares e indispensáveis à construção de sistemas de saúde inteligentes e interoperáveis.
A residência incorpora ainda os avanços mais recentes no campo da formação em saúde digital, incluindo competências relacionadas à interpretação de grandes volumes de dados, avaliação de modelos de inteligência artificial, mitigação de vieses, governança algorítmica e transparência — aspectos presentes nas recomendações de Car et al. (2025) e nas diretrizes atualizadas da OMS. A SBIS reforça que formar profissionais capazes de atuar com responsabilidade, criticidade e visão ética é fundamental para que o SUS avance de forma segura e inclusiva na era da IA.
Outro ponto central é a ênfase na cidadania digital, entendida como a capacidade dos cidadãos de se engajar, compreender e participar dos ecossistemas digitais de saúde. Os autores da proposta destacam que a transformação digital só será bem-sucedida se os profissionais forem capazes de promover justiça digital, reduzir desigualdades e construir soluções centradas nas necessidades reais da população.
Com uma estrutura curricular robusta, atualizada e alinhada às melhores práticas internacionais, a Residência Multiprofissional em Informática em Saúde e Saúde Digital busca suprir uma lacuna histórica na formação de profissionais especializados nessa área. Para a SBIS, o programa representa um marco no fortalecimento da transformação digital no SUS, preparando especialistas que irão liderar processos de inovação, qualificação do cuidado e modernização dos sistemas de informação em saúde.