Ministro da Saúde defende liderança do SUS na transformação digital durante abertura do CBIS 2026
Alexandre Padilha destacou expansão da Rede Nacional de Dados de Saúde, telessaúde, Inteligência Artificial e hospitais inteligentes durante cerimônia em Brasília
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta quarta-feira (23), em Brasília, que o Sistema Único de Saúde (SUS) assuma papel de liderança na transformação digital da saúde brasileira. A declaração foi feita durante a abertura oficial do XXI Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2026), promovido pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).
Com o tema “Inovação Ética e Sustentável na Saúde Digital Brasileira”, o congresso prossegue até sexta-feira (25), no Royal Tulip Brasília Alvorada, reunindo profissionais da saúde, pesquisadores, gestores e especialistas para discutir Inteligência Artificial, interoperabilidade, governança de dados e transformação digital.
Durante a palestra de abertura, Padilha afirmou que a revolução digital já está em curso, mas ressaltou a necessidade de articulação entre o poder público, universidades, setor privado e demais instituições. “O grande desafio nosso no campo da saúde é que essa revolução digital seja liderada, de forma compartilhada, pelo nosso Sistema Único de Saúde”, afirmou.
Entre os avanços apresentados pelo ministro está a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Segundo Padilha, a plataforma reúne atualmente mais de 5 bilhões de registros. Ele também destacou a integração de dados da saúde suplementar e a adoção do CPF como identificação única dos usuários do SUS.
Outro eixo abordado foi a telessaúde. De acordo com o ministro, o País passou de 12 núcleos, em 2023, para 63 atualmente, distribuídos pelos Estados, e já contabiliza mais de 10 milhões de teleatendimentos. Padilha citou ainda a distribuição de 7 mil kits de telessaúde e os investimentos para ampliar a conectividade das Unidades Básicas de Saúde.
A Inteligência Artificial também ocupou espaço central na apresentação. O Ministério da Saúde acompanha, segundo Padilha, cerca de 60 ferramentas de IA aplicadas a áreas como gestão, diagnóstico por imagem e câncer. O ministro apresentou ainda iniciativas de hospitais inteligentes e a integração tecnológica de UTIs.
Ao relacionar transformação tecnológica e universalização dos serviços, Padilha destacou que a inovação deve resultar em benefícios concretos para a população. “Inovação sem acesso nem deveria se chamar inovação. Inovação sem acesso é injustiça”, disse.
Na abertura, o presidente da SBIS, Antonio Carlos Onofre de Lira, chamou a atenção para outro desafio: a formação de profissionais qualificados para acompanhar a transformação da área. Segundo ele, é necessário ampliar o reconhecimento da Informática em Saúde como campo de conhecimento e fortalecer a preparação das novas gerações.
“Se a gente não tiver uma responsabilidade de formação, nós podemos virar só consumidores de uma miríade de soluções, que não necessariamente estão movendo o desafio estratégico que significa o conhecimento nesta área para o nosso Sistema Único de Saúde”, afirmou Lira.
A cerimônia reuniu integrantes da Diretoria da SBIS, da Comissão Organizadora do CBIS 2026, ex-presidentes da entidade e representantes de instituições ligadas à Saúde Digital, pesquisa, telemedicina, interoperabilidade e ensino.
O CBIS 2026 segue até sexta-feira com painéis, palestras, apresentações científicas e debates sobre os principais desafios e perspectivas da transformação digital da saúde brasileira.
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