CBIS 2026 debate transformação digital do SUS e equidade no uso da Inteligência Artificial
Keynotes desta quinta-feira apresentaram avanços tecnológicos nos hospitais universitários e discutiram os desafios para que a IA seja incorporada à saúde com segurança, qualidade e equidade
A transformação digital do SUS e os desafios para que a Inteligência Artificial (IA) contribua para ampliar o acesso e qualificar o cuidado foram temas de duas keynotes realizadas nesta quinta-feira (24), durante o segundo dia do XXI Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2026), em Brasília.
Pela manhã, Arthur Chioro, presidente da HU Brasil, apresentou “Desafios para o SUS e a transformação Digital”, com moderação de Ricardo Staciarini Puttini, presidente do CBIS 2026. Chioro mostrou como a transformação digital vem sendo incorporada à rede de 47 hospitais universitários, envolvendo prontuário eletrônico, interoperabilidade, Inteligência Artificial, telessaúde, gestão de dados e automação de processos.
Entre as iniciativas apresentadas estão ferramentas de IA para geração de resumos e sumários de alta, registro automático de sinais vitais no prontuário e apoio à decisão clínica. Outro projeto utiliza dados de sinais vitais, exames e prontuários para identificar padrões relacionados ao risco de piora clínica e permitir uma atuação antecipada das equipes.
O prontuário eletrônico, desenvolvido pela HU Brasil, é o único de oferta pública no país certificado pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). O sistema recebeu a certificação S-RES SBIS NGS-1, que atesta o atendimento a requisitos de segurança da informação, interoperabilidade e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A integração da rede também ganhou destaque. Os prontuários dos hospitais universitários estão conectados, por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), a mais de 44 mil Unidades Básicas de Saúde. A HU Brasil também estrutura um Centro de Dados e IA em Saúde, com uma base de 28 milhões de prontuários destinada a pesquisa, ensino e inovação.

À tarde, Ricardo Cruz-Correia apresentou “Do privilégio ao direito: IA, cidadania digital e equidade em saúde”, com moderação de Heimar de Fátima Marin. O pesquisador discutiu como a IA generativa muda a relação das pessoas com a informação em saúde: além de facilitar perguntas e traduzir conteúdos técnicos, essas ferramentas passaram a oferecer respostas personalizadas e começam a executar tarefas em nome dos usuários. A facilidade de acesso, porém, não garante a qualidade das respostas.
Cruz-Correia chamou atenção para riscos como respostas incorretas apresentadas com confiança, uso inadequado de dados pessoais e indefinições sobre responsabilidades. Ao mesmo tempo, destacou o potencial da IA para traduzir o jargão da saúde, esclarecer dúvidas e ajudar o cidadão a compreender melhor as orientações recebidas.
Um dos pontos centrais da palestra foi a diferença entre tornar uma informação compreensível e permitir que ela seja efetivamente utilizada. Para o pesquisador, dizer ao paciente que deve procurar um serviço de saúde não basta: é preciso que ele saiba onde ir, quando, como acessar o atendimento e o que fazer ao chegar.
As duas apresentações convergiram para um dos principais desafios da Saúde Digital: incorporar inovação ao sistema de saúde de forma segura e baseada em evidências, transformando tecnologia em melhoria concreta do cuidado e do acesso da população.


