História da SBIS

No Brasil, no início da década de oitenta, a situação da nossa especialidade era bastante diversa do que ocorria na quase totalidade dos países do hemisfério norte e Europa, onde a Informática em Saúde estava associada a hardware e software avançados e abundância de recursos para o desenvolvimento e a manutenção de sistemas que utilizavam a tecnologia de ponta.
 
Apesar das restrições impostas, inicialmente pelo estabelecimento de uma comissão para a Coordenação de Atividades na Área da Eletrônica (CAPRE) em 1972 e depois pela Lei Nacional de Informática, institucionalizada em novembro de 1984, a área de informática aplicada à saúde era estudada, acompanhada e desenvolvida por grupos isolados em todo o país. Destacam-se, entre outras, as iniciativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, da Universidade de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina, do Instituto do Coração, da Faculdade de Medicina da USP, da COPPE/UFRJ e do próprio governo federal.
 
Foi neste contexto que foi fundada, em 1986, a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, durante a realização do I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde, em Campinas.
 
Nestes dezesseis anos de atividade, a comunidade de profissionais que trabalham em informática em Saúde tem crescido e amadurecido. Vários eventos foram realizados e a área hoje floresce. Existe uma enorme demanda de profissionais qualificados, analogamente ao que ocorre nos Estados Unidos onde a procura por "Health Care CIOs" (Chief Information Officer), ou seja, Diretores de Informática para a área da saúde cresceu 126% ao longo de 1.999.
 
No Brasil, a massa crítica de profissionais cresce lentamente às custas de programas de doutorado no exterior e de programas de pós-graduação em Ciência da Computação, Engenharia Biomédica, Medicina e outras áreas Clássicas, com teses desenvolvidas na área de aplicações da Informática em Saúde. Ao mesmo tempo, diversas universidades vêm discutindo a criação de cursos de pós-graduação em Informática em Saúde. Programas de treinamento "latu-sensu" têm sido oferecidos regularmente pelo Núcleo de Informática BioMédica da Unicamp, pelo InCor, e pela Unifesp, entre outros. A Faculdade de Medicina da USP ofereceu, por alguns anos, uma Residência em Informática Médica que formou profissionais que ocupam, hoje, lugar de destaque na comunidade.
 
O Departamento de Informática em Saúde da Unifesp (DIS/EPM/Unifesp) criou, em 2001, o primeiro programa de pós-graduação "stritu-sensu" em Informática em Saúde do País.
 
A informática aplicada à enfermagem tem-se destacado e, em agosto de 2000, recebeu prêmio internacional no Congresso Mundial de Informática em Enfermagem. O Congresso Mundial de Informática em Enfermagem será realizado no Rio de Janeiro, em 2003, o que atesta o desenvolvimento desta área entre nós.
 
Nos últimos dois anos a comunidade de profissionais da área tem se preocupado com a promoção e o incentivo na utilização de padrões para a representação da informação em saúde, temas cruciais para a troca de informação em saúde e construção do prontuário eletrônico. Este assunto torna-se ainda mais vital no momento em que a saúde no País passa por modificações como a municipalização, a implantação do Piso Assistencial Básico (PAB) e, principalmente, do projeto piloto do Cartão Nacional de Saude. Estas inovações exigem a troca de informação num cenário distribuído que só poderá ocorrer se os padrões estiverem claramente definidos.
 
Um esforço de padronização liderado pelo Datasus, com apoio decisivo da SBIS, possibilitou a criação do Consórcio Nacional de Componentes de Software para a Área da Saúde - CCS-SUS oficialmente lançado em março de 1999, com o objetivo de criar componentes de software específicos para a construção de aplicações na área da saúde. A criação do Comitê Nacional de Padronização do Registro Clínico - PRC, também sob a coordenação do Datasus / Ministério da Saúde foi fruto da cooperação da SBIS com o Ministério da Saúde e resultou em um processo de padronização que contou com a participação de todos os atores do processo de saúde no País: governo, academia, prestadores de serviço e fontes pagadoras. A experiência do Comitê PRC mostrou ser possível a obtenção de padrões de boa qualidade usando métodos abertos de padronização.
 
A explosão da utilização da Internet representa uma enorme possibilidade de se fazer avançar a utilização da Tecnologia de Informação em nosso País. Praticamente todos os Grupos que lidam com Informática em Saúde no Brasil reconhecem a importância da Internet e o seu potencial, ainda não realizado.
 
Temas como Telesaúde e Ensino à Distância deixam de ser questões abstratas e passam a fazer parte do cardápio de opções colocadas à disposição da comunidade e da população. Os grandes projetos nacionais, sejam em Informática em Saúde, sejam em outras áreas do conhecimento, passam a contemplar a Internet como uma forma privilegiada de se implantar sistemas.
 
Hoje, mais de 16 anos depois de sua fundação, com 7 Congressos Nacionais já organizados e um em organização (CBIS'02, em Natal) os desafios que se apresentam para a Sociedade são o de catalisar o processo de liberação do potencial transformador da Informática em Saúde para os nosso profissionais, provedores, fontes pagadoras e, sobretudo, o paciente.
 
Aqueles que acompanharam a Informática em Saúde ao longo destes 16 anos sabem que hoje existe uma conjunção de necessidades, interesses, consciência, capacidade tecnológica e disponibilidade de recursos humanos que permitem antever uma mudança significativa no cenário da Informação em Saúde. O nosso maior desafio é o de catalisar esta transformação.
 
 
"Histórias" da História da SBIS
 
Dêem uma olhada no material abaixo. É um "Quem é Quem em Informática em Saúde no Brasil". Editado em 1988, para a SBIS, o caderno foi executado pelo pessoal do InCor, com o Cândido coordenando a publicação.
 
A Diretoria da Sociedade, naquele momento, era formada pelos colegas: Roberto Rodrigues, Renato Sabbatini, Cândido Pinto de Melo e Beatriz Leão. A publicação, com pouco mais de 30 páginas, foi um marco importante pois, pela primeira vez, trouxe uma relação completa dos centros brasileiros que se dedicavam à Informática em Saúde.
 
Eram 36 membros titulares da SBIS, dos quais muitos continuam como membros ativos da nossa Sociedade.
 
Como curiosidade, mostro no detalhe, uma descrição dos recursos disponíveis no InCor, naquela época. O texto trazia, entre outras, a seguinte descrição de equipamentos e software:
05 PC AT com discos de 20 a 51 Mbytes (sic), de 704 a 2 Mbytes de memória e 11 PC XT com discos de 10 a 20 Mbytes (para pesquisa e desenvolvimento)
 
Vale a pena dar uma olhada no que existia de software, também:
BLISCOBOL (Sisco), DOS (PCs). Bancos de dados: DBase III Plus e Dataflex. Linguagens: COBOL, Pascal, Fortran, C, Editor Word 2.0 e 4.0, Assembler, Basic (PCs), SAS-PC (p/ Estatística) e demais aplicativos.
 
Obviamente, um "Quem é Quem na Informática em Saúde" hoje teria uma estrutura bastante diferente e deveria ser " on-line". Esperamos que o Portal da SBIS possa vir a hospedar esta iniciativa, até mesmo como um desdobramento natural de nossa atividade.
 
De qualquer forma, a iniciativa do Cândido e dos colegas do InCor foi um marco e fez História. Para mim, que estava voltando ao InCor depois de 3 anos de doutorado, o " Quem é Quem" foi uma forma direta de conhecer uma Sociedade que era nova para mim.
 
Lincoln de Assis Moura Jr.