Relato da Participação da SBIS na HIMSS2018

A Conferência da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) é o maior evento da área de Tecnologia de Informação e Comunicação em Saúde do mundo. Este ano, o evento reuniu mais de 40 mil participantes e 1300 fornecedores, na cidade de Las Vegas, EUA, de 5 a 9 de março.

 A SBIS esteve presente e, a convite da HIMSS, a Dra. Beatriz de Faria Leão, atual presidente da SBIS, coordenou  o painel “digiSUS: A Estratégia de Saúde Digital do Brasil”. O painel fez parte do Workshop HIMSS Latin America -  “Transformação digital nos cuidados de saúde: redefinindo a prestação de cuidados de saúde aos pacientes e a saúde populacional”, que ocorreu no dia 5 de março.

 O workshop teve mais de 100 participantes e contou com a participação da delegação do Ministério da Saúde composta por Juliana Pereira de Souza Zinader, Coordenadora-Geral de Monitoramento e Avaliação e, também diretora de educação da SBIS; Allan Nuno de Sousa, diretor do Departamento de Atenção Básica e Guilherme Telles, Diretor do DATASUS.  O foco do painel foi a apresentação da estratégia de e-Saúde do Brasil e o programa de informatização das unidades básica de saúde.

 

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Painel “digiSUS - A Estratégia de Saúde Digital do Brasil” no Workshop HIMSS Latin America

 

Além do Workshop,  Dra. Beatriz, juntamente com Marcelo Silva (Diretor Executivo da SBIS) e José Bruzadin (Assessor de Desenvolvimento Estratégico da SBIS), participaram de vária reuniões com a equipe do Ministério da Saúde.

No dia 6 de março, ocorreu a reunião com John Daniels, director da HIMSS Analytics. Na ocasião, discutiu-se a metodologia do modelo de maturidade de adoção de sistemas de registro eletrônico em saúde e experiências da adoção desta metodologia por Ministérios da Saúde em diversos países da Europa e Ásia. Como desdobramento desta reunião, a equipe da HIMSS Analytics encaminhará material para análise pela equipe do MS com vistas a uma possível adoção/adaptação deste modelo para o Brasil. Esta certificação é complementar à da SBIS e será um grande avanço para os sistemas de informação no Brasil.

Outra notícia de destaque é a de que a Folks Consultoria, liderada pelo Dr. Cláudio Giulliano da Costa (ex-presidente e atual membro da Comissão Fiscal da SBIS), passa a ser a representante da HIMSS na América Latina.

Ainda no dia 6 de março, a delegação da SBIS e do MS participaram de uma reunião com Teresa Zayas Cabán, Cientista Chefe do Office of the National coordinator (ONC),  e Donald W Rucker, Coordenador Nacional de Tecnologias de Informação para Saúde do ONC. Nessa reunião, foram discutidos os principais aspectos da governança de um programa nacional de e-Saúde. Teresa comentou a importância do Brasil em participar da iniciativa Global Health Informatics que congrega 14 países que discutem a implantação da estratégia de e-Saúde. Como encaminhamento, será agendada uma reunião com a equipe do MS/SBIS para discutir como estabelecer parcerias com o ONC.

 

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Da esquerda para direita: Allan Nunes, Teresa Zayas Cabán (Cientista Chefe - Office of the National coordinator - ONC), Donald W Rucker (Coordenador Nacional de Tecnologias de Informação para Saúde - ONC), Guilherme Telles e Juliana Zinader.

 

No dia 7 de março, foi realizada uma reunião com Rachel Dunscombe, CEO da NHS Academy e responsável pela Informatização da região de Manchester. A reunião contou ainda com a presença de Tomaz Gornik, CEO da Marand e Diretor da Fundação OpenEHR. Rachel expôs que a municipalidade de Manchester, no reino Unido, adotou a mesma arquitetura e tecnologia adquiridas para o RES Nacional brasileiro, que conta com um repositório de informações clínicas, em formato não proprietário, baseado no modelo OpenEHR. Rachel é também diretora da NHS, responsável pela formação de CIOs em Informática em Saúde na Inglaterra. O objetivo da NHS Academy é formar a liderança na área de informática em saúde na Inglaterra.  Como desdobramento, Rachel vai enviar à SBIS mais detalhes sobre o programa inglês, abrindo oportunidades para parcerias.

 

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Da esquerda para direita: Juliana Zinader, Rachel Dunscombe (National Health Service - NHS Digital Academy),  Lincoln Moura (Accenture), Tomaz Gornik (Open EHR FOundation/ Marand), Beatriz Leão (Presidente da SBIS), José Luiz Bruzadin (SBIS), Guilheme Telles e Allan Nuno.

 

Para que a equipe do MS pudesse ver um exemplo de sistema de prescrição eletrônica seguindo todos os requisitos de segurança do paciente, nos mesmos moldes que se pretende adotar no eSUS-AB, a SBIS solicitou a Tomaz Gornik que apresentasse a solução hoje em operação na rede de hospitais universitários em Plymouth, Inglaterra.  Este exemplo utiliza interfaces gráficas de domínio público que acessam um repositório de arquétipos OpenEHR assim como no projeto do RES brasileiro. O modelo apresentado consiste em exemplo importante para o desenvolvimento do e-SUS AB, prontuário eletrônico do paciente desenvolvido pelo MS e usado em unidades básicas de saúde em todo Brasil, que poderá ser o primeiro sistema a testar a base de medicamentos da Ontologia Brasileira de Medicamentos (OBM) e validar os requisitos de segurança, já com os mapeamentos para o SNOMED.

 

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O Show de Interoperabilidade é uma das maiores atrações da Conferência da HIMSS. Neste espaço foram apresentados diferentes casos de uso de interoperabilidade de sistemas, com demonstrações em cada uma das estações do processo de assistência a um paciente. Por exemplo, do nascimento, à UTI neonatal, o Sistema de Comunicação e Armazenamento de Imagens (Picture Archiving and Communication System - PACS) enviando imagens para serem laudadas em outro estado, da notificação compulsória de agravo notificável as autoridades sanitárias e, finalmente o retorno ao ambulatório de pediatria que acompanhará o paciente.

 Mais de 80 diferentes casos de uso foram apresentados, com as empresas líderes do mercado americano capitaneando cada exemplo. A delegação brasileira observou, entretanto, que são exemplos fragmentados e que a implementação de um caso de uso não conversa com outras implementações, pois as empresas líderes de mercado nos Estado Unidos criam redes proprietárias de troca de informação, diferentemente da proposta brasileira na qual todos poderão participar e compartilhar dados com a base nacional.

 A participação da delegação da SBIS na HIMSS 2018 foi muito proveitosa, pelos contatos estabelecidos com outros governos e por verificar que o Brasil está no caminho certo, alinhado com outros países que possuem sistemas públicos de saúde, como a Inglaterra e Austrália.